A relactação!
O meu segundo filho nasceu no mesmo ano em que eu estava fazendo um aprimoramento em Fonoaudiologia Neonatal. Com um barrigão imenso eu atendia bebês internados em uma Unidade de Terapia Intensiva e também em berçário de alto risco. Foi um período de grande aprendizado e de muita prática, o que foi importante para a minha formação como fonoaudióloga e também para o meu desejo em amamentar o Miguel, que crescia na minha barriga.
Uma das técnicas que conheci foi a relactação. É inegável que a amamentação exclusiva trás inúmero benefícios para a mãe e para o bebê. Porém, em algumas situações (bem específicas) é necessário que o bebê receba complemento (que pode ser inclusive leite materno ordenhado da própria nutriz). A relactação consiste em oferecer o complemento e estimular o seio materno ao mesmo tempo.
No meu caso, que realizei uma cirurgia de redução de mamas, foi a relactação que possibilitou uma amamentação prolongada com o meu segundo filho. Ainda na maternidade levei todos os apetrechos para realizar tal procedimento. E o mais incrível foi ver a cara de surpresa dos funcionários quando eu dizia que o complemento deveria ser dado somente com a relactação. Quase ninguém conhecia a técnica e eu tive que mostrar inclusive para uma pediatra o que eu estava fazendo e explicar os motivos pelos quais eu “brigava” para o leite ser oferecido assim.
A técnica é extremamente simples depois que “se pega o jeito”. Existe no mercado um equipamento próprio denominado relactador. No meu caso, eu não me adaptei muito bem a ele. Por sugestão de uma professora (a mesma que me apresentou ao mundo delicioso dos bebês) eu fiz um relactador genérico utilizando uma mamadeira e uma sonda uretral ou nasogástrica de calibre pequeno (número 4). É importante ressaltar que não estou aqui fazendo apologia ao uso de mamadeiras para este fim, apenas contando que COMIGO o relactador genérico funcionou melhor que o convencional. Eu fazia relactação em todas as mamadas, pois eu tinha pavor de pensar que o Miguel pudesse abandonar o seio muito precocemente como aconteceu com o meu filho mais velho.
Com a utilização da relactação, consegui amamentar o Miguel até perto dos 12 meses. Muito pouco ainda se considerarmos as recomendações dos órgãos de saúde. Mas muito além do que eu consegui com o primeiro filho (3 meses). Portanto, eu tive duas experiências distintas com a amamentação: na primeira, a mamadeira foi oferecida nas primeiras semanas de vida do meu filho o que favoreceu o desmame precoce. Na segunda, eu iniciei a relactação nos primeiros dias de vida e com ela permaneci até o desmame. Talvez hoje eu fizesse uma terceira experiência: diminuiria gradativamente o número de mamadas com relactação e aumentaria a livre demanda no peito, claro que tudo isso com um acompanhamento bem de perto de um pediatra que realmente entendesse do assunto.
Eu digo isso porque o complemento vicia também a mãe. No primeiro sinal de desconforto do bebê o primeiro pensamento que nos ronda é que deve ser fome e que o nosso leite não é suficiente (principalmente no caso de mães que escutam isso de profissionais de saúde em qualquer momento da vida). Eu conheço sim, mães que fizeram a cirurgia de redução e conseguiram amamentar de maneira exclusiva até o sexto mês e, prolongada até os 2 anos. E também conheço aquelas que não conseguiram. Cada caso é um caso e cada cirurgia pode ter uma consequência para a amamentação.
A relactação não é um procedimento que deve ser utilizado em qualquer caso. É necessário afirmar que a grande maioria das mulheres não precisa de nenhum “apetrecho” especial para amamentar. Basta o seio, o bebê e a informação adequada. A relactação deve ser orientada e acompanhada por um profissional que entenda do assunto (pediatras, fonoaudiólogos, enfermeiros e consultoras em amamentação) e deve sim ter um propósito. Geralmente, esse procedimento é realizado quando um bebê precisa ficar muito tempo afastado da sua mãe (internações longas e que há a necessidade de alimentação por sonda), bebês adotados cujas mães desejam amamentar, mães que por algum motivo pararam de amamentar, mas desejam retornar com o processo, mães submetidas à cirurgia de redução de mamas,entre outros. E o mais importante: a relactação pode e deve ser realizada por um período determinado e não para sempre.
A relactação permitiu que o meu desejo de amamentar fosse realizado. Para mim, amamentar não é apenas alimentar. É vínculo, é amor, é proteção, é olho no olho. É antes de tudo um desejo pessoal e para mim um dever com o bebê que acabou de nascer. É necessário que todas as pessoas envolvidas nos cuidados maternos e puerperais estejam informadas e saibam (ou encaminhem) puérperas com dificuldades em amamentar. Sim, as dificuldades podem aparecer ao longo do processo da amamentação, mas se forem diagnosticadas e a intervenção for precoce a chance de uma mãe continuar amamentando é grande. Precisamos observar que a palavra de um profissional de saúde tem um peso enorme para as mães recém-nascidas. Sim, por que nós também nascemos juntos com os filhos.
Leia o depoimento da Barbara Saleh sobre a sua experiencia com a relactação, clicando aqui.
12 Comentários
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Eu tentei, tentei mas infelizmente não consegui.
Olá Keka,
Conte um pouco mais sobre a sua experiência,se for possível. O que você não conseguiu?Fazer relactação?Se sim,quais foram os problemas?
O seu depoimento pode ajudar outras mulheres.
Muito obrigada
kely
Eu estou fazendo Relactação com meu segundo filho, ele estava indo super bem no primeiro mes… começou a naum engordar , e vomitava demais e muitooo, foi diagnosticado, com estenose hipertrófica do Piloro, uma valvula que liga o estomago ao intestino, que estava atrofiada naum deixando o leitinho passar e ser absorvido, e eu com muito leitinho pra dar, fez cirurgia, e quando podia mamar, precisava mamar só 5 minutos por um dia todo… resultado : tive uma mastite terrível… e pra não perder a pega do peito e porque ele reduziu a pridução, recorri a relactação, esta sendo um sucesso, estou voltando a produzir e tal, porem ele acostumou com a sonda que é fluida, e estou lutando pra retirada pois o peito nuam tem saida fluida o tempo todo, ele para e volta , para e volta, mas é tão sucesso que meu leitinho voltou e assim é… se alguém tiver uma dica de como fazer a retirada da sonda, por favor, me avisem… Grata Kelly , mãe do Theo de 4 meses
Oi,Kelly
Obrigada por ter vindo aqui contar a sua experiência.
Qual a idade do seu bebê?Há quanto tempo vocês estão fazendo a relactação?Qual o calibre da sonda que você usa?
O seu bebê mama em livre demanda ou apenas com a relactação?
Você poderia me responder essas perguntas?Um beijo
Kely
Muito legal!! Depois de ler, fiquei lembrando de tantas amigas, parentes que não amamentaram e podiam ter feiro a relactação… Parabéns!! Ficou ótimo.
Oi,querida
O importante é pensar que cada caso é um caso. É necessário que se faça uma avaliação da mamada para saber qual conduta tomar.
Como eu disse no texto nem toda mulher precisa fazer relactação. Às vezes, apenas uma orientação resolve as questões.
Um beijo
kely
Oi meninas estou fazendo relactação desde o ultimo dia 14 no inicio parecia mais facil só que agora meu bb tá tendo dificuldade, não consigo entender ele solta o peito e não consegue sugar com a mesma facilidade do inicio, o pior é que ele continua gritando quando só no peito estou a ponto de desistir por isso venho aqui pedir alguma dica, o leite do peito continua na mesma.
Oi,Vânia
Espero que esteja tudo bem. Por que você começou a fazer a relactação?Você foi orientada por algum profissional? Qual a idade do seu bebê? Ele toma mamadeira em algum momento do dia?
Acho que sem essas informações eu não consigo tentar ajudá-la. Você poderia respondê-las?
Aguardo sua mensagem
Atenciosamente,
Kely
Oi Kely comecei a relactação após ler o depoimento da Barbara em um site, meu bb faz 3 meses amanhã 05/11 e desde que descobrir a relactação ele não usa mais mamadeira,até pq quando tentei dar ele não conseguiu mamar direito.
Aguardo sua resposta
Oi, Vânia
Você tem baixa produção,é isso?Você já tentou ordenhar?Ele mama em livre demanda? A livre demanda favorece a produção de leite.
Qual o calibre de sonda que você usa?
Eu te diria para continuar tentando, pode ser apenas uma fase.Tente mudar o posicionamento dele na mamada (de cavaleiro, invertido). Ele pode estar irritado com outras coisas e por isso não consegue sugar.
Mas, mais uma vez eu insisto: tente deixá-lo em livre demanda e vá diminuindo gradativamente a oferta de leite artificial. Algumas dicas simples podem aumentar a produção de leite: livre demanda como eu já disse, aumento da ingestão de água, descanso e mesmo alguns medicamentos receitados pelo seu médico.
Por favor, nos mantenha informada
Um beijo grande,
kely
Antes de começar a conviver com a Kely eu só achava “legal” amamentar… hoje vejo a amamentação com novos olhos e admiro as mães que lutam por essa fase com seus filhos! Lindo o texto!
SUA PROFISSÃO É MUITO IMPORTANTE PARA AS MULHERES / MÃES E SUAS DIFICULDADES E SONHOS COM A AMAMENTAÇÃO.