Trauma dental

nov 18, 11 Trauma dental

O trauma dental ocorre com maior prevalência na infância e por isso este assunto deve ser esclarecido, desmistificado e amplamente divulgado.

Os dentes mais afetados, tanto de “leite” como permanentes, são os da frente superiores, por serem os primeiros a receber o impacto.

Nem sempre o trauma provoca a perda do dente ( de “leite” ou permanente), mas, para isso, alguns cuidados devem ser tomados por quem socorre o paciente, sejam os pais, professores ou outros e o pronto encaminhamento ao profissional dentista é o fator mais importante.

Lembrando que, em alguns casos, outros profissionais também devem ser consultados como neurologista, quando há alteração do grau de consciência, tontura, sonolência, vomito, etc. Cortes profundos na face e fraturas ósseas também requerem cuidados especiais de outros profissionais.

O que fazer?

Em primeiro lugar, quem socorre não pode ser alguém desesperado. Manter a calma é fundamental; se não for possível é melhor pedir ajuda do que tomar atitudes inadequadas, principalmente no caso de crianças onde o nervosismo poderá deixá-la ainda mais assustada e agitada.

O primeiro procedimento, se houver sangramento, é estancá-lo. E isso se faz com compressão, usando gaze ou um pano limpo e seco, que pode ser fralda, toalha, pano de copa ou até uma peça de roupa. A compressão deve ser feita de forma vigorosa e constante por no mínimo dez minutos.

Sem sangramento é possível avaliar os danos. Se houver cortes ou ralados, avaliar a necessidade de remover sujidades ou corpos estranhos presos ao ferimento, nesta hora, se necessário, lavar com água em abundância. Lembrando que esse procedimento pode fazer voltar o sangramento e nova compressão será necessária.

Feito isso observar os dentes.

Se houver fratura de algum dente e o fragmento for encontrado, o mesmo deve ser guardado hidratado.

A hidratação pode ser feita preferencialmente em solução salina (soro fisiológico), porém este nem sempre está a mão. Leite em temperatura ambiente é uma excelente segunda opção, mas na falta desses elementos o fragmento pode ser guardado em saliva,parece estranho mas é isso mesmo, a mãe pode colocar o fragmento na própria boca até conseguir um melhor substituto (nesse caso deixe o fragmento colocado entre o dente e a bochecha, para evitar engoli-lo). Em último caso deixar o fragmento mergulhado em água limpa, também até achar um melhor substituto. A hidratação é muito importante.

Se houver deslocamento do dente: foi empurrado para frente ou para dentro ou girado ou ficou mais comprido ( saiu de dentro do osso), sempre que possível se deve tentar levar o dente a posição original o quanto antes. Porém se quem está socorrendo não se sentir em condições para realizar esta manobra, o caso não estará perdido, mas um profissional deve ser consultado o quanto antes.

Se o dente “cair”, o procedimento é o mesmo já descrito, localizar o dente, NÃO LAVAR NEM ESFREGAR, hidratar e levar ao dentista.

Apesar de parecer uma boa ideia o dente não deve ser mergulhado em solução antisséptica, como: água oxigenada ou soluções enxaguatórias (Listerine, Cepacol ou outros).

O trauma causa prejuízos funcionais,estéticos, emocionais e financeiros, mas deve ser enfrentado com calma e lucidez, pois na grande maioria das vezes o dano pode ser reparado com muito sucesso.
Mesmo que o dano, aparentemente, seja irrisório, o paciente deve, sempre, ser avaliado, o quanto antes, por um dentista.

Ismenia Malta

Sou a Ismenia Malta. Cirurgiã Dentista formada pela USP há 24 anos, com especialização em Ortodontia (aparelhos) e Patologia Oral (estudo e tratamento de doenças bucais).Minha paixão é meu trabalho; meus hobbies são viagens, leitura e música; minha vida são meus cinco filhos e meu marido; meu combustível é Deus.Ouço mais de uma vez por dia, todos os dias: “odeio dentista”. Vou procurar, nesse espaço, acabar com isso, tirar as dúvidas, desvendar os mitos e, se Deus quiser, remover os medos.Contem comigo para esclarecer dúvidas que não tenham ficado claro. Até breve. clinicabutanta@gmail.com.br

1 Comment

  1. Pois este post está muito bem feito e esclarecedor para as mãezinhas que levam um susto quando veem o filhote chegar com sangue na boca e um dentinho nas mãos.
    Eu tive uma surpresinha dessas quando meu filho tinha lá seus 6 anos. Fomos morar numa casa nova e tinha um grande terreno. Ele saiu correndo logo no segundo dia e caiu, voltando com sangramento na boca e o dente nas mãos. Não me desesperei, mas confesso que fiquei meio atônita. Fomos imediatamente para um dentista que acertou o problema na hora.
    Muito bom você escrever estas coisas por aqui, pois ajuda em muito as jovens mães a tomarem providências imediatas sem desesperar-se.
    um super beijo carioca

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