HO HO HO

Natal é que nem gato, ou a gente adora ou muito o contrário! Por mais que tentemos ficar afastados de tudo, somos bombardeados por mensagens de que o Natal está aí, e o Ano Novo na sequência. Não importa em quê você acredita, se decidir brigar, se você for da turma que não gosta desta época, travará uma luta difícil, então o melhor a fazer é pegar sua fatia de panettone e partir para o abraço.

Eu sei que escrevendo assim parece que sou do grupo que desvia do trenó, não é isso, acho que sou um caso mais atípico, dessas que coloca leite no pires caso um bichano apareça na porta, mas não iria muito além disso. Bom, a comparação não é das mais felizes porque eu mal poderia tomar conta de um aquário. Teve um ano que ganhei uma planta linda do meu irmão e da minha cunhada, após algumas visitas em casa eles resolveram me presentear com vasinhos de cactus, alegando que não molhava a planta direito. A planta foi para uma família mais zelosa.

Voltemos ao caso dos pinheiros e papais noéis. Eu sou de família grande, Natal barulhento, amigos secretos e declarados, nada que me deixasse traumatizada com a ocasião. O problema é que, por ter muita representatividade, o próprio caráter cíclico, acaba nos mostrando como o tempo é importante para nós.

Não o tempo do relógio, ou não somente, mas o tempo vivido, o tempo planejado, o que deixamos de fazer, nossos adiamentos, nossas antecipações, o tempo interrompido, o novo tempo.

Em tempos de consumo exacerbado e internet bombando, penso no tempo que não é preciso se preocupar com status – no sentido econômico e “facebookiano” – quando não é preciso pensar nem no orçamento estabelecido para o presente antes do estouro do Champagne, nem se preocupar em atualizar seu perfil.

Gosto do tempo de passar horas conversando com amigos, muito tempo, ou mesmo pouco tempo, não importa, é a pressa que eu não quero. Uso propositalmente o verbo no tempo presente, porque tudo isso pode ser feito, não precisa ter um quê saudosista, pode ser – e olha o tempo aí de novo – contemporâneo.

Asse um bolo de caixinha, leve para sua vizinha. Faça um sanduiche de atum e chame seus amigos, eles trarão suco de pozinho ou cerveja importada, tanto faz. O que eu quero é estar com.

Quero fechar a tampa do note e abrir a porta. Seja para entrar uma rena ou um gato, desde que estejam acompanhados por pessoas reais.

Se daria leite para o gatinho, não tenho como evitar….tenhamos sempre um Feliz Natal!!

Andrea Albuquerque

Andréa Bezerra de Albuquerque, 38, jornalista, graduanda em psicologia (Universidade Paulista), cursando extensão em Docência (Fundação Getúlio Vargas), foi presidente da ONG Movitae – Movimento em prol da vida (2003-2010

7 Comentários

  1. Andrea Albuquerque, faz uma ótima reflexão sobre o Natal! Esta imperdível! http://t.co/7wERI6ME

  2. Bem, Andrea, minha visão do natal mudou conforme os anos passaram, uma vez que eu também mudei. Lembro da minha infância e como o natal era alguma coisa mágica, muito gostosa. Coisa de criança.Presentes, doces… Hoje, tudo é diferente. Espero que, eu consiga passar para os meus netos, quando os tiver, a mesma magia que tanto me encantou e que ainda me faz sonhar…beijos

  3. Já leu o texto da Andrea Albuquerque sobre o Natal? Corre que ainda dá tempo!!! http://t.co/7wERI6ME

  4. Dé, o texto está lindo!
    Pois é, sempre conversamos, amigo é tudo na vida. Mas amigo real, p/ tocar, sentir o cheiro, abraçar, escutar o som da risada… não p/ conversar a distância e se contentar com um huahuahuahua.
    Te amo! Beijo.

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