Anemia Ferropriva – Workshop Nestlé

Deficiência de ferro na alimentação é determinante na incidência da anemia em bebês brasileiros

Estima-se que a doença atinja 50% das crianças até dois anos e 80% até os cinco anos de idade

São Paulo, agosto de 2011 – De acordo com o Estudo Multicêntrico de Consumo Alimentar realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a quantidade de ferro ingerida pelas crianças brasileiras menores de dois anos está bem abaixo da recomendada. A anemia ferropriva – por deficiência de ferro – é atualmente o distúrbio nutricional mais frequente no mundo inteiro, atingindo todos os países em graus diferentes. No Brasil, estima-se que acometa 50% das crianças até dois anos, podendo atingir 80% quando se analisa até os cinco anos de idade.

Dentre as principais consequências da doença, destaca-se o potencial impacto no desenvolvimento das funções cognitivas das crianças. Segundo a Profa. Dra. Christiane Araujo Chaves Leite, Mestre e Doutora em Pediatria pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), as principais causas da anemia ferropriva se correlacionam ao baixo consumo de ferro – determinado, sobretudo à oferta de leite de vaca integral no primeiro ano de vida – e a utilização de alimentos complementares inadequados, erros frequentes na alimentação dos lactentes.

Pesquisa publicada recentemente sobre práticas alimentares dos bebês no País, envolvendo lactentes saudáveis, dos quatro aos 12 meses de idade que não estavam sob aleitamento materno exclusivo, evidenciou um considerável percentual de deficiência na quantidade de nutrientes ingeridos, especialmente zinco (75%) e ferro (45%).

A alimentação complementar adequada compreende alimentos ricos em energia e micronutrientes (particularmente ferro, zinco, cálcio, vitamina A, vitamina C e folatos), sem muito sal ou condimentos, de fácil consumo e boa aceitação pela criança, em quantidade apropriada, fáceis de preparar a partir dos alimentos que fazem parte do hábito familiar e com custo acessível de acordo com o padrão das famílias brasileiras. Conceitualmente, os alimentos complementares são todos os líquidos e sólidos que não sejam o leite materno ou as fórmulas infantis.

Para reduzir o impacto das deficiências de micronutrientes, vários países, desenvolvidos e em desenvolvimento, têm adotado estratégias de fortificação dos alimentos complementares. Os cereais infantis (próprios para alimentação de lactentes a partir do 6º mês de vida) têm sido utilizados como medida preventiva de algumas deficiências de micronutrientes, principalmente ferro, zinco, cálcio, vitaminas do complexo B e folatos. Hoje, propõe-se inclusive o acréscimo de probióticos (compostos funcionais) em combinação à fortificação de micronutrientes, especialmente o ferro e o zinco, como uma perspectiva promissora para fortalecer o sistema imunológico da criança, o que potencialmente reduziria alguns processos alérgicos e o risco aumentado de diarréias nos países em desenvolvimento.

Dicas da especialista

A Dra. Christiane Araujo Chaves Leite ressalta que as formas mais eficientes de reduzir a prevalência e consequências da anemia ferropriva, em épocas de avanço tecnológico da medicina, consistem em práticas muito simples, mas bastante eficazes. São elas:

  • A manutenção do aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida;
  • Do 6º mês aos dois anos de idade, estimular a ingestão de alimentos ricos e/ou enriquecidos com ferro em combinação com a manutenção do leite materno
  •  Quando o aleitamento materno não for possível, recomenda-se a sua substituição por fórmulas infantis dando-se importância também aos teores protéicos das mesmas, de preferência, mais próximos ao leite materno. O uso do leite de vaca integral, não modificado, no primeiro ano de vida representa uma das principais causas da anemia na primeira infância.

A pediatra também lista os alimentos considerados inadequados à saúde da criança no primeiro ano de vida:

• Leite de vaca integral, não modificado;
• Chás
• Água açucarada
• Sopas e caldos muito diluídos
• Cereais integrais e também os não apropriados às crianças pequenas

* A densidade de ferro recomendada nos alimentos complementares é de 4 mg/100 kcal para crianças de 6 a 8 meses, de 2,4 mg/100 kcal dos 9 aos 11 meses e de 0,8 mg/100 kcal dos 12 aos 24 meses.

Barbara

Barbara Saleh é mãe, muçulmana e blogueira. Voltou a aprender inglês, está aprendendo a fotografar e iniciou o Portal Uma Mãe das Arábias para dividir com outras mamães tudo o que ela está aprendendo sendo mãe. Contato: barbara@umamaedasarabias.com

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Mais em Nutrição, Saúde (8 of 8 articles)


...

Mais em Nutrição, Saúde
Petisco para impressionar no final do ano: Grão-de-bico Torrado

Continuando a saga para a realização de uma ceia saudável, resolvi ensinar vocês a prepararem grão-de-bico torrado e condimentado para...

Fechar
[-] | [@]