Escola Nova! O desafio da adaptação!

Chegar pela primeira vez na escola é um misto de emoções. O coração acelera, a mão aperta a mão do adulto e as pernas parecem ter vida a parte. Uma curiosidade grande, um medo do desconhecido, uma vontade de mexer aqui e ali.

Estranhamentos e empatias.

Quando cheguei na segunda escola da minha vida, achei tudo gigantesco. Fui de transporte escolar, então a única mão a apertar era a minha mesmo.

Assustada com a grandiosidade do prédio, a quantidade de crianças indo e vindo e falando alto, conversando. Senti medo. Senti saudade forte dos amigos que deixei na escola antiga e os olhos encheram de lágrimas. Uma amiga que conheci na perua escolar e estaria na minha sala de aula veio e me acolheu. Pegou minha mão e me ajudou a achar lugar na “fila” de espera da sala. Tudo era novo, diferente, estranho e arredio. Menos aquela mão amiga.

Minha professora foi doce e querida, isso amenizou o medo daquela escola grande e nova na minha vida. Aos poucos relaxei, mas a insegurança me acompanhou por vários dias, até que tomei posse daquele espaço, fiz vínculo com aquelas pessoas e aprendi a lidar com novas regras e novas rotinas.

Toda criança e jovem passa por algo parecido quando muda de escola. Alguns tem mais facilidade de se relacionar, outros pedem mais tempo para integrar-se.

Choros, resistências, chantagens emocionais, birras e mau humor podem acompanhar a criança nos primeiros dias. Uma defesa de um mundo desconhecido dela que deixa insegura e vulnerável.

Conversar com os profissionais da escola é muito importante, isso dá confiança aos familiares e ajuda a equipe a entender o momento do seu filho. Exponha os medos, as verbalizações da criança e ajude a escola a acolher essa pessoa pequena de coração grande e apertado.

Escutar as colocações da criança e buscar meios de aliviar seus temores é importante. Ela pode estranhar o jeito dos outros, pode sentir falta dos amigos de antes, pode ter dificuldade de aceitar a distribuição do espaço, a rotina e até a professora. Ouça, converse, pondere e assegure de que tudo ficará bem.

Quanto mais cedo ela fizer um amigo, mais fácil será ficar . Mas alguns demoram muito a fazer isso, então calma!

Meu filho mais novo, levou 6 meses para adaptar-se definitivamente a uma mudança de período de curso e olha que na mesma escola! É a forma de ser dele, a necessidade que ele mostrou. Nada errado nisso.

Quem não tem frio na barriga no primeiro dia de emprego novo? Ao conhecer a família do companheiro? Ao viajar para um lugar de cultura diferente?

As sensações se assemelham. Só mergulhando nelas e vivendo sua intensidade, superamos a barreira dos medos e nos abrimos para o novo. Mas cada um tem seu tempo e sua velocidade.

Mostre paciência, confiança na escola nova, não se atrase para levar e buscar. Esteja na porta de casa quando o transporte chega, se for o caso, isso dá mais segurança de que a criança é esperada.

E saiba que vai passar a fase da dificuldade. Virão amigos, histórias para contar, brincadeiras novas, ambientes novos e cheios de assunto. Em breve a criança se apropria de tudo e se sente dona do espaço.

Escola nova é como um presente que a gente ganha e não sabe bem como deve usar, demanda exploração!

Bons ventos!

Marcia

Marcia Golz

Márcia Golz, educadora e contadora de histórias, mãe de Gabriel de 8 anos e Felipe de 5 anos. marciagolz@uol.com.br www.marciagolzassessoria.blogspot.com www.fiodecontos.blogspot.com

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