Certo e errado: mochilas escolares!

Com o começo do ano letivo, uma das preocupações dos pais e cuidadores se relaciona com o peso da mochila utilizada pelas nossas crianças.

Na minha época, e não sou tão velha assim, levávamos apenas nossa cartilha e um estojo, e a tira colo, nossa lancheirinha….oh tempo bom!!!! rs!, enfim…essa época ficou para trás. Hoje, a maioria das escolas utilizam apostilas, uma para cada matéria, agenda, cadernos (com seu ídolo ou tema predileto), estojos lotados de canetas e lápis. Não estou dizendo que isso é errado, e sim algo que esta ai, e faz que com a mochila dos nossos pimpolhos fiquem cada vez mais pesadas.

Com essa preocupação recorrente, alguns estudos científicos foram e estão sendo realizados no mundo todo, pois está havendo um número crescente e significativo de problemas posturais em crianças de idade escolar. Mas e ai? Qual a melhor maneira das nossas crianças levarem o material para a escola???

No Brasil, ainda não temos nada que regularize ou padronize o peso ideal das mochilas, em alguns paises da Europa, é indicado que esse valor oscile entre 10 a 20% do peso corporal da criança. Por exemplo, uma criança de 30 kg, pode utilizar uma mochila com um peso de 3 a 6 kg aproximadamente. É claro que o peso que a criança carrega é muito importante, porém a maneira com que ela carrega todo esse peso também é essencial.

As mochilas tradicionais, aquelas de duas alças, carregadas nas costas, devem ser ajustadas de uma maneira que o peso carregado por ela, seja distribuído uniformemente na região posterior do corpo. As duas alças devem ser utilizadas, ajustadas de modo que a base da mochila fique na região lombar da criança, isso quer dizer, o fim da mochila deve ficar logo acima das nádegas. Existem algumas mochilas que apresentam uma tira a ser fechada na barriga da criança, se existir, também devera ser ajustada, porém não devendo apertar muito o abdômen.

Todas essas orientações juntamente com o peso propriamente dito, devem ser muito bem observadas pelos pais, quando a mochila esta sendo utilizada pela criança. Ela não pode apresentar um aumento nas curvaturas naturais da coluna, a lordose e a cifose, isso é a criança acaba compensando esse peso projetando o abdômen a frente, ou para trás e um fechamento/abertura para a região medial do corpo dos ombros, bem como a projeção à frente da cabeça, enfim, um desarranjo global da postura da criança.

Fonte da Foto.

Outra maneira, e que muitas vezes os pais e cuidadores acham que é a solução para esse problema, são as mochilas com rodinhas, tipo carrinho, não é exatamente a maneira mais adequada e ideal. Esse modelo também requer cuidado. Não é porque o peso não esta nas costas que as deformidades na coluna não vão aparecer. Quando essa mochila apresenta uma haste (puxadores) curto ou longos demais para a altura da criança, temos um esforço muito aumentado para deslocar todo o peso, normalmente apresentara uma rotação de tronco, extensão excessiva do braço utilizado para puxar-la, flexão da coluna torácica, enfim, imaginemos que estamos puxando uma mala de viagem excesso de peso e que a haste seja curta…imaginou???? é assim que as crianças também sofrem para puxar/carregar essa mochila.

Assim, quando escolhermos esse tipo de mochila carrinho, a haste/puxador quando elevado deve alcançar a região trocantérica do fêmur, isto é, um pouco abaixo do osso da bacia, (aquele osso que conseguimos apalpar mais ou menos na região umbilical). E os braços devem estar sempre levemente flexionados na hora de puxarmos a mochila. Esta deve permanecer sempre na lateral do corpo, para que façamos o mínimo esforço. Não esquecendo sempre de orientar a criança de utilizar alternadamente os braços na hora de carregá-la.

Enfim, devemos estar sempre atentos em relação ao uso das mochilas, mas também não podemos esquecer, que muitas vezes, os problemas posturais não são decorrente apenas da ma utilização das mochilas e sim do mal habito postural durante todo o dia dessa criança, mas em relação a isso falaremos em uma outra oportunidade.

Espero que tenha ajudado!!!

Beijos e até a próxima…

Paula Yuri Miyamoto

Meu nome é Paula, sou fisioterapeuta desde 2007, ou melhor, acho que sou fisioterapeuta desde que nasci!!! Sempre sonhei com isso, e hoje sou realizada com a minha profissão. Campineira de nascença, hoje moro em Matão, uma cidade pacata no interior de São Paulo, trabalhando no único hospital da cidade. Já trabalhei com ergonomia e atendimento domiciliar, mas hoje, passo as minhas 6 horas diárias dentro da UTI...amo poder assistir, ajudar e reabilitar meus pacientes. Para quem quiser entrar em contato comigo ai vai meu email.... paula.yuri.miyamoto@gmail.com. Espero poder ajudar!!!! Beijos...

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