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Posted on 15.jan.2013 in Outros Papos, Papo de Mãe | 0 comments

A Ilusão dos Novos Começos



Vira o ano, vira o calendário, vem a segunda feira, vem o dia primeiro…começa.

Começa?

Continua!

O que ontem se viveu, encadeia-se no hoje e no amanhã. Mas precisamos de rituais, recomeços freqüentes, para nos motivar a seguir em frente com nosso cotidiano tão repetitivo.

Com as crianças é a mesma coisa.

De repente as férias acabam e vem o começo do ano letivo. Renovam-se as expectativas, renovam-se os anseios e desejos.

E isso é bom.

Quando temos alguma novidade apontando na esquina da vida, algo em nós se mobiliza num misturado de ansiedade, receio e esperança. Essas misturas fazem o sabor daquilo que chega, ser experimentado com mais intensidade. Para a criança que frequenta a escola esse momento pode ir da escala das ansiedades suaves até os medos mais fantasiosos.

Quem é a professora ou professor?

Meus amigos ainda estarão lá?

Como ficarei sem a minha mãe?

Vou gostar deste lugar?

Muitas vezes a reação a esta tensão toda é negar-se a ir. Choro, febre emocional, irritabilidade, aquele escândalo colossal na porta da escola. O coração dos pais e mães vai ao máximo de aceleramento.

Como se lida com os retornos e as entradas nas novas etapas da vida escolar?

Muita calma nestes momentos, alguém ali precisa sentir segurança e firmeza nos propósitos dos adultos.

Como nem sempre tem idade para avaliar se uma situação é favorável e tranquila, a criança vai espelhar-se na postura dos pais. É na tensão e no relaxamento deles que ela buscará razões para ir em frente ou agarrar-se ao braço amigo em desespero. Assim, temos que estar preparados para lhe oferecer o apoio e a segurança pelo olhar decidido, pelo sorriso alegre e motivador, pelo carinho, pelo ritual de despedir-se.

Com a ilusão de que a vida praticamente recomeça ali, a criança fica ansiosa. O novo que nos seduz, também pode nos trazer sentimentos ameaçadores de perda do que tínhamos antes e com isso nos botar a fantasiar desfechos povoados de muitas situações negativas. É esperado. Para a maioria de nós, recear o novo é mais natural que recebê-lo de braços abertos.

Começar trabalhando dias antes, comentando da escola, das pessoas que lá estarão, das atividades agradáveis e do aprendizado de coisas interessantes que são diferentes das de casa, ajuda a criança a criar uma boa imagem do que a espera. Conversas sobre expectativas, dúvidas, medos e fantasias a respeito deste momento, abrem espaço para que ela exponha suas expectativas e possa elaborar possíveis ansiedades com tempo, carinho e acompanhamento de quem a ama.

Deve-se respeitar com seriedade estas angústias, evitando deboches, desprezo e também supervalorização da situação que a transforma num drama.

Funciona, ter uma pequena ajuda: passar na frente da escola e falar da fachada, comprar a mochila e objetos que terá de levar, comentar dos amiguinhos novos e antigos. Mas nada disso surte efeito se o rosto do adulto espelha insegurança, descrença na escola e medo de estar fazendo a coisa errada.

Como ímas de emoções as crianças captam o espírito dos pais e acabam moldando suas reações com referência nestas percepções.

Tenha claro para você sua escolha sobre a vida escolar do filho, sinta segurança que fez o melhor e busque transmitir isso a ele. Despedidas mais curtas, costumam resultar em crianças mais tranquilas. Quando se prolongam muito, a tendência é a criança se agarrar mais e mais e lutar para não ficar.

Quem está chegando agora, ou pela segunda vez, precisa de uns dias de adaptação, que variam para cada criança e devem acontecer de forma gradativa e ininterrupta. Ir um dia, faltar dois, ir mais um , confunde a criança e atrapalha sua construção de vínculo com a escola e as pessoas novas de lá. Confie na escolha, na escola e na criança, ela consegue.

Melhor sair sorrindo e dando um aceno e deixar para chorar lá fora, se precisar. E saiba, muitas de nós precisamos!

Mãe e Pai também passam por adaptação.

Com algumas crianças funciona bem ter um ritual certinho de despedida todo dia: começar um desenho ou jogo, que será terminado junto quando ela voltar da escola, caminhar pelo espaço interno antes de dizer tchau, um abraço especial e uma brincadeira de palavras só de vocês antes de entrar com a professora. Cada família achará sua maneira, o importante é transmitir segurança e confiar na capacidade da criança de enfrentar o desafio e criar vínculos.

Os maiores, que já frequentam a escola a mais tempo, tendem a apresentar mais facilidade nestas horas, mas nem por isso merecem menos olhar e cuidado. Mostre interesse, entusiasmo e alegria pelo momento dele, e com certeza receberá uma criança feliz, cheia de histórias e novidades no fim do período!

Suaves e bons ventos de recomeços na vida em 2013, para todos!!!

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Márcia Golz

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Márcia Golz, educadora e contadora de histórias, mãe de Gabriel de 10 anos e Felipe de 8 anos. marciagolz@uol.com.br www.marciagolzassessoria.blogspot.com www.fiodecontos.blogspot.com

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